Projecto

Enquadramento

Um dos grandes desafios da floresta portuguesa reside na procura de soluções que consigam gerar riqueza, incentivar a fixação das populações nas zonas rurais e mitigar a maior ameaça natural à floresta portuguesa: os fogos florestais. 

Uma floresta bem gerida é mais produtiva, cria emprego e é mais sustentável. Uma boa gestão consegue compatibilizar as funções de produção com a promoção da biodiversidade, a protecção do solo, da regulação hídrica e de sequestro de carbono. É no sucessivo interesse em reinvestir na floresta que se encontra a chave para a sustentabilidade, garantindo a herança de uma floresta saudável para as gerações futuras.

Os desafios climáticos e a globalização das economias exigem uma abordagem paradigmática na gestão das florestas. A opção por uma única espécie em áreas extensas é manifestamente arriscada e o conceito de floresta mista tem vindo a ganhar interesse junto dos gestores no terreno. Porém, esta é uma abordagem muito diferente e mais difícil de operacionalizar. Porquê?

- é necessário conhecer que combinações de espécies funcionam 
- as intervenções silvícolas são diferentes do habitual
- o gestor não está naturalmente receptivo à mudança

A investigação pode ajudar a responder a estes desafios estudando as interações entre as espécies, percebendo que espécies se complementam ou como evitar que compitam entre si. Através de modelos de crescimento e produção, é possível simular as produções e as intervenções no longo termo ajudando o gestor a tomar decisões mais conscientes.

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Porquê a mistura de sobreiro com pinheiro manso?

Esta mistura apresenta potencial de expansão em algumas regiões do país. Comparado com outros países mediterrânicos, é em Portugal que as duas espécies encontram condições óptimas para crescer e prosperar. O país possui não só as regiões mais produtivas para cortiça e pinha no mundo, mas também séculos de conhecimento acumulado sobre as melhores técnicas de instalação das plantas, gestão dos povoamentos e colheita dos produtos. Ambas as espécies produzem produtos florestais não lenhosos muito valorizados nos mercados nacionais e internacionais. A procura é superior à oferta e o proprietário florestal revela interesse nesta mistura pela possibilidade de juntar estes dois rendimentos. Esta composição de espécies já existe espontaneamente em Portugal sugerindo que, com uma gestão adequada, pode ser ainda mais rentável. 

Como e onde é que esta mistura pode prosperar são perguntas que este projecto pretende responder.