Estudos Nacionais

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Que interações ecológicas predominam em plantas jovens de sobreiro e pinheiro manso crescendo lado a lado (resultados de um ensaio em estufa)?

Realizámos uma experiência em estufa em 2017 combinando misturas inter (Qs×Pp) e intra-específicas (Qs×Qs, Pp×Pp) e ainda o sobreiro e pinheiro manso a crescer isolados no mesmo vaso durante 11 meses.

Realizámos medições morfológicas da planta e de biomassa aérea e das raízes em 3 datas: aos 4, 8 e 11 meses. Foi quantificado o teor de azoto das folhas e as formações simbióticas micorrízicas em ambas as espécies. 

Concluímos que em condições de conforto hídrico e de nutrientes, a morfologia e profundidades de enraizamento foram muito diferentes entre as espécies. As raízes nas misturas da mesma espécie mostraram que um dos indivíduos é claramente dominante.

Qs = Querus suber = Sobreiro
Pp = Pinus pinea = Pinheiro manso

A mistura de Sobreiro com Pinheiro-manso parece ser vantajosa nas primeiras fases de desenvolvimento das plantas, devido ao abundante desenvolvimento de formações micorrízicas no pinheiro que acabam por beneficiar a própria planta micorrizada (maior área foliar), mas também os nutrientes disponibilizados ao sobreiro, nomeadamente o azoto. [Imagem 72 e 73].

Este estudo foi realizado com a colaboração do aluno de mestrado de Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia, António Galla. 


Que interações ecológicas predominam em plantas jovens de sobreiro e pinheiro manso crescendo lado a lado quando infectados com Phytophthora cinnamomi?

Realizámos uma experiência semelhante à anterior mas infetámos as plantas com Phytophthora cinnamomi. Este é um dos agentes patogénicos envolvidos na mortalidade do sobreiro provocando danos nas raízes finas, comprometendo a absorção de água.

Neste caso as plantas estiveram em vaso durante 18 meses, abrangendo 2 primaveras. Não foram encontrados sintomas ou mortes associadas à infeção das plantas por P. cinnamomi quer no pinheiro manso ou sobreiro. É provável que as condições óptimas de crescimento, isto é, conforto hídrico e nutricional, foram decisivos na recuperação das plantas pós-infecção.

Porém, a extensão do tempo em vaso permitiu evoluir no conhecimento sobre as interações entre as espécies. 

O sobreiro tende a competir fortemente com outros sobreiros sendo expressivamente dominado pelo pinheiro-manso quando no mesmo vaso. O factor limitante principal será provavelmente a competição pela luz. Porém, os sobreiros crescendo com pinheiros mansos apresentaram, um rácio biomassa da raiz/biomassa aérea significativamente superior do que os sobreiros crescendo sozinhos no vaso. Poderá ter ocorrido algum estímulo do crescimento radicular no sobreiro induzido pelo pinheiro, sugerindo que estas plantas poderão ter um melhor desempenho no campo em condições de limitação de água.

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Este estudo foi realizado em colaboração da aluna Joana Martins, mestre em Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia com supervisão de Helena Machado do INIAV.